Livro Kimpa Vita – A Profetisa Ardente

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  • Autor: José Mena Abrantes
  • Nº de páginas: 158
  • Edição: 1ª
Estimativa De Entrega 28 Setembro, 2021
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Kimpa Vita tinha entre 18 e 20 anos quando, depois de uma grave doença, disse ter sido possuída por Santo António. E seria como o santo incarnado (daí o nome do movimento) que Kimpa Vita pregaria às multidões do Reino do Kongo, em meio à crise que o assolava, seguindo o rasto de outras profetisas que a precederam, como a Velha Mafuta. A pregação de Kimpa Vita possuía uma forte conotação política. Ela preconizava o retorno da capital para São Salvador (Mbanza Kongo) e a reunificação do Reino, chegando mesmo a envolver-se nas lutas entre facções da época. As alianças que foi estabelecendo ancoravam-se numa cosmologia complexa e peculiar, que consistia numa “modalidade remodelada e completamente africanizada do cristianismo”. O movimento antoniano rejeitou igualmente boa parte dos sacramentos católicos, como o baptismo, a confissão e o matrimónio. Kimpa Vita adoptou em seu proveito pessoal certas orações católicas, sobretudo a Salve-Rainha, e proibiu a veneração da cruz, por ter sido ela o instrumento da morte de Cristo. Como é natural, essa pregação despertou a ira dos missionários capuchinhos e das facções adversárias do Antonianismo, que lutavam pelo poder real. O próprio Dom Pedro IV, de início cauteloso e hesitante em reprimir o movimento, terminou cedendo às intrigas dos capuchinhos e ordenou, em 1709, a prisão e a queima na fogueira de Kimpa Vita, como falsa profetisa e herege do Catolicismo. Apesar de curta duração, a acção de Kimpa Vita e do movimento antoniano deixou até hoje marcas em toda a região do antigo reino e em todos os países para onde foram levados escravos do Congo. Há referências a essa religião no Brasil, no Suriname, na Jamaica, em Barbados, no Haiti e nos próprios Estados Unidos da América (em Nova Orleães, Virgínia e Carolina do Sul). Mais modernamente, a referência a Kimpa Vita continua viva em muitos movimentos proféticos e messiânicos, como os de Simão Kimbangu, Simão Toko ou Tata Ntuasidi Antoine Ngoko, que lançam o mesmo grito de reunificação: “Mazinga Mlolo”, já utilizado por Kimpa Vita no início do século XVIII.

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